21 março, 2011

Meus versos

Busquei você em meus cadernos
Procurei te entender em tantos livros
Tentei te contar nos meus versos
Mas não há palavras

Não há nada que me diga um pouco de você.
Quanto mais eu queria, mais você me confundia
Mais me deixava preso a você
Assim eu então me perdia


Você estava escondida nos meus versos
Visitava diversas vezes durante o dia
Meus pensamentos que não eram mais
Tão somente meus

A cada nota não ouvida
A cada palavra então mentida
Eu 'inda louco me apaixonava
Por alguém que eu não sabia

E me entregava
Ao mesmo tempo me perdia.
Eu com um emaranhado de sentimentos
De sensações não vividas

Você estava nos meus versos
Era você a minha eterna poesia
Me embebia em seu segredos
Novo amor e falsa agonia

Já era tarde, o pior acontecera,
Estava então embriagada pelo desejo
Tragada pelas ondas de seu cabelo
Envolvida em suas aliteradas rimas

Te levava
Em meus mais belos devaneios
Sentia aquela sensação
Eximia e dilacerante..

E fiquei daqui
Te procurando em meus cadernos
Escrevi você em meus versos
Pra embranquecer as minhas rimas.



Moimiechiego e Alex..

17 março, 2011

Esse xote


Esperei você me chamar pra festa
Quis ouvir as batidas do seu coração
Acompanhando o ritmo da sanfona,
Um pra cá dois pra lá
No balanço deste baião

Fiquei da janela sonhando
Com nois dois no xote dançando
Um prá cá e três prá lá
A zabumba então tocando

Ensaiei os passos deste forró
Vesti minhas melhores ilusões
Esperei você me chamar pra festa
Fiquei sonhando com o dia de São João

Rezei pra Santo Antonio
Pedi pro Padre Cícero
Pra você me levar pra dançar este xote
Um prá cá e dois prá lá
Fiquei em casa sonhando

18 fevereiro, 2011

Minha dor -Crônica de um dia terrível

Acordou José logo cedo caindo pela cama
Maltrapilho e maltratado
Vai José angustiado
Mais um dia trabalhar

Nem café, bom sono, ou bom dia
Vai José às 5 da matina
Pra mais um doloroso dia
De cão enfrentar

Amassado, amarrotado, maltratado
Esse é o Zé pobre coitado
Não tem ninguém pra reclamar

Lata d'água, cimento e pedra
Vai o Zé unindo tudo pra casa construir
Cai o Zé então da escada
Pena que não quebra nada,
Pra um atestado conseguir

Hora da bóia é meio dia
Comida fria, ave-maria
É arroz e ovo na marmita
Só fechar o olho e engolir

Vai o Zé dolorido, doloroso sem coração
Subindo na construção
Cimento e cal a assentar
Afina a areia e vai o dia acabar

É cinco horas que alegria
A primeira de um longo dia
É hora de ir pra casa descansar
Vai o Zé tombando meio torto

E o drama de novo se repete,
É lotação, condução, trem metrô e o ônibus
Inventou de quebrar
Passa meia hora, uma hora, duas horas

É mais um dia
Dia de cão sem pena de Maria
Que o pobre Zé tem que aguentar